Diabetes e o risco de cegueira: projeto de capacitação dos profissionais de saúde da estratégia saúde da família no reconhecimento da retinopatia diabética como forma de prevenção da cegueira

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O Brasil está envelhecendo e apresentando mudanças no perfil epidemiológico com importantes alterações da morbi-mortalidade. A projeção é que as chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), diabetes e câncer, sejam as responsáveis por cerca de 73% de todas as mortes em 2020. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são cerca de 12 milhões de diabéticos no Brasil (incluindo-se tipo 1 e 2), sendo a 3ª maior causa de morte no Brasil e a causa mais frequente de cegueira adquirida através da retinopatia diabética (RD),em decorrência do controle inadequado da diabetes e do tempo da doença. A retinopatia diabética é uma doença silenciosa e progressiva que, uma vez instalada, o tratamento para as suas consequências não é reparador, mas sim preventivo, no sentido de tentar evitar a evolução para a cegueira. E o sucesso do tratamento depende da precocidade do diagnóstico. Diante do impacto sócio-econômico de um paciente cego na estrutura familiar e na previdência social, o objetivo desta pesquisa foi avaliar qualitativamente o conhecimento dos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, e agentes comunitários) do Programa Estratégia Saúde da Família (ESF) sobre o Diabetes e sua repercussão ocular, a retinopatia diabética. Utilizamos como método a pesquisa qualitativa, através de entrevistas semi-estruturadas com perguntas norteadoras envolvendo profissionais do sudeste e nordeste do Brasil, representados através de duas cidades selecionadas com base no índice de desenvolvimento humano (IDH): Ribeirão Preto/SP e Teixeira de Freitas/BA. Traçou-se paralelo entre o nível de conhecimento dos entrevistados de cada estado, identificando perfis e caracterizando os campos de estudo. Após análise de conteúdo destas entrevistas, identificamos como resultados os eixos temáticos, emergindo quatro categorias empíricas, depreendendo-se delas o fato de que todos profissionais envolvidos na ESF, seja de Ribeirão Preto/SP ou de Teixeira de Freitas/BA têm um bom conhecimento geral sobre a diabetes, porém, os médicos não realizam o exame de fundo de olho (fundoscopia) como manda o Currículo Baseado em Competências para Medicina de Família e Comunidade, formulado pela Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Ainda, o protocolo de encaminhamento do paciente diabético para o diagnóstico e seguimento da retinopatia diabética (RD) é de conhecimento dos médicos, porém, há conflito nas respostas (teoriaXprática) pois a grande maioria não o faz de maneira correta, referindo, em geral, o paciente ao oftalmologista quando este já apresenta queixa visual. Todos os profissionais reconhecem a fundoscopia como exame de diagnóstico, mas desconhecem os demais métodos de diagnóstico e as opções de tratamento da RD. Concluímos que a não realização da fundoscopia e o não seguimento do protocolo de atenção ao diabetes torna o paciente mais susceptível à perda visual secundária às complicações oculares pelo diabetes, sobretudo no nordeste; que há conflito entre a teoria e a prática no seguimento dos pacientes diabéticos além do déficit de conhecimento dos profissionais da enfermagem e agentes comunitários sobre o assunto. Criamos um instrumento simples e prático para alertar sobre a retinopatia diabética tanto os profissionais da ESF quanto os usuários e formulamos propostas para atual sistema (SUS) que necessita sobremaneira de uma reformulação e remodelação para maior efetividade no combate da perda visual. Esforços múltiplos devem ser feitos para a capacitação de todos os agentes de saúde na prevenção da cegueira, especialmente para os agentes comunitários para que possam praticar a prevenção de doenças e suas complicações e divulgar as informações, propiciando dessa forma, empoderamento da população e consequente diminuição do risco de cegueira.

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