Monitoramento de parcela da população ribeirão-pretana submetida a teste diagnóstico para detecção do SARS-CoV-2
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Resumo
A pandemia COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2, desencadeou uma crise sanitária global sem precedentes, exigindo investigações detalhadas sobre seus efeitos na saúde pública. Neste contexto, o presente trabalho caracteriza-se como um estudo retrospectivo, cujo objetivo foi monitorar os impactos fisiológicos, sociais e emocionais da pandemia em indivíduos que realizaram o teste diagnóstico para detecção do vírus SARS-CoV-2, no Projeto COVID-19, realizado em Ribeirão Preto (SP) entre maio e setembro de 2020. A iniciativa foi desenvolvida pela Universidade de Ribeirão Preto em colaboração com o Laboratório Dr. Prates Genética, utilizando a técnica de RT-qPCR, padrão ouro no diagnóstico da infecção. Ao todo, foram realizados 3.782 testes, com 17% de resultados positivos, 82,2% negativos e 0,8% inconclusivos, distribuídos entre 2.065 mulheres e 1.717 homens. A pesquisa monitorou 73 indivíduos que realizaram o teste diagnóstico no Projeto. O processo passou por quatro etapas: seleção por meio da plataforma Zeus, contato direto com os participantes (via telefone, WhatsApp, e-mail e cartas), envio do termo de consentimento e questionários, e por fim, análise dos dados. Dentre os participantes, 21,1% relataram perdas familiares. A taxa de vacinação foi de 100%, sendo que 68,7% receberam entre 3 e 5 doses, com predominância das vacinas Pfizer/BioNTech (38,9%) e AstraZeneca/Oxford (31,4%). No campo da saúde física, 22 indivíduos (30,1%) relataram sequelas pós-contato com o vírus dentre os relatos alterações hormonais, perda de memória, desequilíbrio, queda do cabelo, queda da unnha, miocardite, embolia pulmonar, dispneia, problemas renais, transfusão sanguínea. Do ponto de vista econômico, 54,8% mantiveram sua renda estável, 28,8% tiveram redução salarial e 16,4% relataram aumento de renda, o que pode estar relacionado a novas oportunidades como trabalho remoto, realocação profissional ou empreendedorismo. A esfera emocional também foi significativamente impactada, especialmente durante o pico da pandemia. Sintomas como ansiedade foram recorrentes, principalmente entre mulheres adultas entre 30 e 69 anos. Esses resultados evidenciam os múltiplos efeitos da pandemia na saúde física, mental, social e econômica da população local. O estudo reforça a urgência de políticas públicas que contemplem saúde mental, proteção social e estratégias eficazes de comunicação, essenciais para mitigar os impactos de crises sanitárias futuras.
